Essas são as principais missões espaciais que acontecerão em 2021

O ano de 2021 promete ser bastante agitado para o setor espacial. É que este é o ano em que as primeiras missões robóticas serão lançadas à Lua com o objetivo de preparar o terreno para o Programa Artemis, que visa a permanência humana contínua em nosso satélite natural. Além disso, as missões rumo a Marte lançadas em julho de 2020 chegarão ao Planeta Vermelho em fevereiro.

Ainda, alguns grandes projetos que foram adiados nos últimos anos podem estrear em 2021, como o Telescópio James Webb e o foguete SLS, da NASA. Também devemos ver a estreia de um programa de defesa planetária contra asteroides potencialmente perigosos à Terra, entre várias outras missões interessantes.

Missões que chegam a Marte

(Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

Em fevereiro, as missões Mars 2020, Hope Mars e Tianwen-1 chegarão ao Planeta Vermelho. Todas elas foram lançadas em julho do ano passado, aproveitando a janela mais recente que permite às espaçonaves um trajeto mais rápido até Marte — para chegar lá, as missões têm apenas um pequeno período a cada dois anos, correspondente ao momento em que Marte se aproxima da Terra em sua órbita ao redor do Sol.

A primeira delas foi a Hope Mars, lançada pelos Emirados Árabes Unidos no dia 19 de julho. O foguete carregando a sonda orbital partiu de solo japonês e o objetivo é estudar o clima marciano. Quando chegar ao Planeta Vermelho, a Hope vai se inserir na órbita marciana com uma manobra autônoma, sem depender de comandos enviados aqui da Terra, e ficará ao redor de Marte para coletar dados.

Quatro dias depois, a China lançou a missão Tianwen-1, levando a Marte uma sonda orbital, um módulo de pouso e um rover, que estudarão o Planeta Vermelho. Quando a missão chegar a Marte, os três veículos trabalharão em conjunto para estudar a geologia marciana, além de investigar mais sobre o que pode haver abaixo da superfície do planeta.

Por fim, no dia 30 daquele mês, a NASA lançou a missão Mars 2020, levando o rover Perseverance e o helicóptero Ingenuity em um foguete Atlas V, da United Launch Alliance. O Perseverance tem como tarefa principal buscar por bioassinaturas (sinais de que um dia já existiu vida em Marte), pousando na cratera Jezero, onde antigamente existiu o delta de um rio, e coletando amostras do solo. O Ingenuity, por sua vez, será um experimento para testar a capacidade de voo em outro planeta.

Telescópio espacial James Webb

(Imagem: Reprodução/NASA)

Astrônomos e astrofísicos do mundo inteiro estão ansiosos pelo lançamento do telescópio James Webb, da NASA, que já está uma década atrasado. A previsão mais recente era para uma estreia em 2020 ou meados de 2021, mas o prazo precisou ser adiado mais uma vez devido à pandemia de COVID-19. A agência espacial agendou então o lançamento para o dia 31 de outubro de 2021.

Não é à toa que todos estejam ansiosos por este lançamento. O James Webb não será apenas um substituto para o Hubble — cujo futuro ainda é incerto —, mas também promete uma grande revolução para a ciência espacial. É que o novo instrumento será capaz de “enxergar” muito mais longe, com detalhes nunca vistos antes, abrindo uma “janela para o universo primitivo, permitindo ver o período em que as primeiras estrelas e galáxias se formaram”, de acordo com a NASA.

De fato, o James Webb é o maior telescópio já construído. Ele foi projetado para detectar as primeiras estrelas e galáxias que surgiram no universo, mas poderá ser usado para muitas outras pesquisas. Na verdade, o potencial de suas contribuições pode ser maior do que se imagina, e quantidade de descobertas que ele pode trazer são imprevisíveis — podendo ir desde mistérios das fronteiras do Sistema Solar até a busca por vida alienígena em planetas distantes.

Testes do Starship

(Imagem: Reprodução/Jack Beyer)

Este ano também pode ser o marco de um salto gigantesco nas viagens espaciais. É que a SpaceX continuará fazendo testes com protóripos de próximo veículo espacial, o Starship, e o CEO Elon Musk está bem confiante que a nave possa fazer seu primeiro voo fora do nosso planeta ainda em 2021. Representantes da SpaceX também já disseram que as primeiras missões começariam este ano, com ​​lançamentos de satélites de comunicações comerciais, inicialmente.

Ainda falta um bom caminho para isso se tornar realidade. O Starship depende de seus próximos testes aéreos e também de seu foguete, o Super Heavy, ainda em desenvolvimento. No último teste, o protótipo SN8 realizou um “salto” com cerca de sete minutos de duração, no qual o veículo alcançou a altitude de 12,5 km, mas acabou explodindo ao pousar. Mesmo assim, Elon Musk se mostrou satisfeito com o resultado, dizendo “Marte, aqui vamos nós!”. Pois é, o Starship é o veículo que realizará a ambição do empresário de levará humanos ao Planeta Vermelho em um futuro aparentemente não muito distante.

É difícil prever o que veremos em 2021, mas é certo que haverá uma série de testes com o sistema Super Heavy/Starship e — talvez — voos suborbitais, caso nenhuma falha grave atrase o cronograma. Na melhor das hipóteses, também testemunharemos os primeiros lançamentos oficiais do veículo.

Foguete Space Launch System (SLS)

(Imagem: Reprodução/NASA)

O mais importante foguete da NASA é o Space Launch System (SLS), pois dele dependem todos os planos de enviar astronautas para uma permanência contínua na Lua e, posteriormente, iniciar as missões tripuladas a Marte. A agência estadunidense quer levar humanos novamente ao nosso satélite natural em 2024, por meio do programa Artemis, mas os preparativos foram ficando cada vez mais caros e o desenvolvimento do SLS sofreu vários atrasos devido a “desafios técnicos”.

O programa de desenvolvimento deste foguete começou em 2010 e a fase de design foi concluída em 2014. Os contratos para testes e fabricação vieram logo depois disso e a NASA agendou a apresentação do veículo, mas a data precisou ser adiada várias vezes. Estima-se que o primeiro lançamento do SLS ocorra no segundo trimestre de 2021, mais de dois anos após a estimativa original. Portanto, apesar dos atrasos, pode ser que finalmente vejamos este incrível foguete ser lançado este ano.

Nave Starliner

(Imagem: Reprodução/NASA)

O segundo lançamento de teste, ainda não tripulado, da nave Starliner, da Boeing, está programado para o dia 29 de março deste ano. O destino é a Estação Espacial Internacional (ISS) e o teste consiste no acoplamento da nave à estação orbital, o retorno à Terra e o pouso bem-sucedido. Se tudo der certo, a companhia provará à NASA que seu sistema está pronto para transportar astronautas nessa viagem.

Este será um momento crucial para a empresa dentro do Programa de Tripulações Comerciais da NASA. É através deste mesmo programa que a SpaceX já está enviando astronautas para a ISS com sua nave Crew Dragon e, em breve, a Boeing também deverá cumprir com sua parte no acordo com a agência espacial. Depois de muitos atrasos, problemas com a Starliner em um voo de teste realizado em dezembro de 2019 fizeram com que a companhia adiasse a agenda de lançamentos até que a falha fosse encontrada e corrigida.

Se o teste de março for bem-sucedido, pode ser que finalmente veremos a Boeing transportar astronautas na Starliner pela primeira vez em algum momento no final de 2021.

Foguetes e mais foguetes

(Imagem: Reprodução/Blue Orign)

Muitos outros foguetes também podem fazer uma estreia gloriosa em 2021. Entre eles estão o New Glenn da Blue Origin, o Vulcan da United Launch Alliance (ULA) e o Ariane 6 da Arianspace. Também podemos ver novas tentativas da Virgin Orbit com seu foguete LauncherOne, um veículo de lançamento descartável de dois estágios projetado para ser lançado a partir de uma aeronave Boeing 747 modificada. A Virgin Orbit falhou em sua tentativa de lançamento desse foguete em 2020, mas deve tentar novamente este ano.

O New Glenn também é um foguete muito interessante. A NASA e a Blue Origin assinaram um contrato que torna esse veículo parte da frota de lançamentos comerciais da agência espacial. Ele contará com um propulsor reutilizável, que deverá voar até 25 vezes, e será capaz de levar até 14 toneladas para a órbita geoestacionária e 50 toneladas para a órbita baixa da Terra.

Também haverá muitos foguetes pequenos estreando em 2021, como o Alpha da Firefly, com capacidade de lançar quase 1 tonelada para a órbita baixa da Terra. Outra startup dos EUA chamada ABL Space Systems também estreará um veículo de lançamento, o RS1, e a Relativity Space está confiante de que lançará seu foguete Terran 1 no final do ano. A Índia planeja lançar seu SSLV pela primeira vez, assim como o Vega C, da Europa.

Crew-2, Crew-3 e astronautas particulares na ISS

(Imagem: Reprodução/NASA)

Astronautas revezam a estadia na ISS a cada seis meses, normalmente. Isso significa que todos os anos temos pelo menos dois lançamentos tripulados rumo à estação orbital. As duas expedições de 2021 a serem lançadas pela SpaceX já estão programadas: a primeira delas (Crew-2) será lançada em março de 2021, enquanto a segunda (Crew-3) deve decolar em outubro de 2021. Ambas as missões serão lançadas pelo foguete Falcon 9 e contando com a nave Crew Dragon, da SpaceX.

Há ainda outras missões planejadas para a ISS, que incluem astronautas particulares. A SpaceX pretende enviar uma tripulação da empresa Axiom Space, selecionada pela NASA para construir um módulo comercial habitável na estação orbital. Essa iniciativa abre espaço para companhias privadas utilizarem a ISS e permite que uma quantidade maior de pessoas possa permanecer por lá, realizando ainda mais experimentos e trazendo novos avanços científicos e oportunidades comerciais.

Além disso, parece que o primeiro filme gravado no ambiente espacial levará o ator Tom Cruise à ISS a bordo da nave de Elon Musk. Informações preliminares indicam que essa viagem deve acontecer em outubro deste ano.

Missões lunares

(Imagem: Reprodução/Astrobotic Technology)

Parece que as missões lunares serão protagonistas no ano de 2021. Há várias delas planejadas para levar módulos de pouso e rovers à superfície lunar, incluindo o Peregrine, da Astrobotic, que deve ser lançado em julho e alunissar em uma região chamada Lacus Mortis. Embora seja uma iniciativa privada, recebeu apoio financeiro da NASA, então pode-se dizer que esse é o primeiro pouso da agência espacial estadunidense na Lua desde as missões Apollo.

Essa missão levará 11 experimentos para a NASA com o objetivo de analisar as rochas e poeira da superfície lunar, testando sensores importantes para direcionar a seleção do local de pouso. Também será lançado primeiro rover lunar do Japão, chamado Yaoki, junto com o módulo de pouso Peregrine. Ambos voarão a bordo do novo foguete Vulcan Centaur, da United Launch Alliance.

Outra missão privada ocorrerá através da Intuitive Machines, que enviará o módulo de pouso Nova-C, que também foi contratada pela NASA para realizar experimentos científicos na Lua, preparando o terreno para as missões do Programa Artemis. Instrumentos científicos da empresa estudarão a química dos materiais no regolito lunar, o ambiente de radiação e a química da exosfera da Lua.

A Rússia também voltará à Lua pela primeira vez desde a extinta União Soviética, através da missão Luna-25. A nave terá nove instrumentos a bordo e a missão é baseada em planos originalmente concebidos em 1997. Por fim, a Índia também vai tentar pousar na Lua através da missão Chandrayaan-3, a segunda tentativa após a queda da sonda Vikram na missão Chandrayaan-2 em 2019.

Investigando asteroides

(Imagem: Reprodução/NASA)

O estudo de asateroides continuará com a missão Lucy, que vai investigar rochas espaciais perto de Júpiter, buscando respostas sobre a história do Sistema Solar. Além disso, a OSIRIS-REx, da NASA, deixará o asteróide Bennu em março, trazendo consigo uma grande quantidade de amostra que coletou da superfície, mas só chegará à Terra em 2023.

Também veremos o início de um programa especial da NASA: o DART, desenvolvido para testar estratégias de defesa planetária contra asteroides potencialmente perigosos. Trata-se de um sistema baseado na técnica do pêndulo cinético com o objetivo de atingir as rochas ameaçadoras para mudar sua trajetória. Em outras palavras, a missão pode ser descrita como uma tentativa de se chocar contra um asteroide, dando um “empurrãozinho” para que ele siga outro caminho, sem que a Terra esteja no meio.

Por fim, vale mencionar o Near-Earth Asteroid Scout (NEA Scout) da NASA, programado para ser lançado no final de 2021 com o objetivo de chegar até o asteroide 1991 VG.

Limpeza espacial

(Imagem: Reprodução/ESA)

O problema do lixo espacial é preocupante e cada vez o cenário fica um pouco pior, ainda mais com o lançamento de centenas de novos satélites de internet para as contelações de empresas como SpaceX e OneWeb. Quanto mais satélites em órbita, maiores são os riscos de uma colisão com lixo espacial, o que pode causar um efeito dominó e, no pior dos cenários, tornar a baixa órbita potencialmente inutilizável.

Em 2021 teremos algumas missões que tentarão diminuir esses transtornos, como a ELSA-d da, Astroscale, que será lançada em um foguete Soyuz em março. A empresa vai colocar em órbita duas naves que tentarão se acoplar e se soltar várias vezes através de um ímã, e realizará uma série de demonstrações tecnológicas como busca, identificação, encontro, acoplagem e eventual des-órbita.

Com todas essas tarefas, o ELSA-d demonstrará a primeira captura semiautônoma e a primeira identificação de objetos fora do campo de visão dos sensores de navegação. Tudo isso para demonstrar tecnologias que futuramente serão capazes de coletar lixo espacial.

E ainda tem mais!

(Imagem: Reprodução/Todd Mason/Mason Productions Inc./LSST Corporation)

Outras missões darão muito o que falar em 2021, e proporcionarão muitos avanços na exploração espacial nesta década. Uma delas é o lançamento do Tianhe, módulo central da nova estação espacial chinesa, a Tiangong 3.

Também deveremos ver a estreia do Observatório Vera C. Rubin, mas ele só estará oficialmente operacional em outubro de 2022.

Fonte: Canaltech

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